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domingo, 31 de maio de 2009

Doce de Santo


Estou participando de uma exposição na Bahia. Doce de Santo, mandei as imagens do Santo Van Gogh, Santa Frida e Santa Tarsila que já postei anteriormente, eis a proposta da exposição:

“DOCE DE SANTO”
Este projeto nasceu de questionamentos sobre os santos como “provedores de acesso rápido a Deus”, tendo como gênese conceitual e matérica, o trabalho de pesquisa sobre religiosidade. Desta forma, o projeto “DOCE DE SANTO” foi pensado para recortar e pontuar fragmentos de vivências da cultura popular, visando especialmente o desdobramento das pesquisas iniciadas sobre o tema referido. Inicialmente, abordamos a banalização do sagrado, a sacralização do homem e a transformação de santos numa ótica de verdadeiros super-heróis da contemporaneidade.Trata-se de um projeto de exposição de um coletivo de artistas. A poética visual inserida nesta proposta se constitui em uma forma de contestação que toma elementos pertencentes ao imaginário religioso e artístico como fonte de sentido e significado, revelando formas híbridas como modo de compreensão e crítica desse processo. Tem a característica de um projeto processual, pois os trabalhos a serem apresentados criamos possibilidades de complementação na medida em que novas obras são acrescentadas à proposta inicial. Propõe a participação de 365 artistas, onde o experimento permite estabelecer um diálogo entre a matéria, a idéia e o fazer artístico ao longo do processo criativo: um artista para cada dia do ano e seu olhar diferenciado sobre seu objeto de trabalho. Assim, os artistas integrantes do projeto, propiciam um entrelaçamento das suas poéticas visuais, além de possibilitar a interlocução com a vivência de outros pela criação de uma obra processual.
Nossa iconografia oscila intencionalmente entre pólos opostos. A necessidade de associar conceitos será criada para “DOCE DE SANTO” a partir de um impulso que não é necessariamente nem agressão nem reação por parte do sujeito. Em primeiro olhar, foi escolhido trabalhar com os santos Cosme e Damião por estarem associados aos doces e guloseimas distribuídos por ocasião da sua festa, sendo ampliado, posteriormente, para qualquer forma de leitura sobre o “duplo” de cada artista. Como resposta dirigida ao inconsciente, na construção de uma pretensa “compota de doce de santo”, ela se torna referência de atributo associado ao personagem híbrido de força e sacralidade, formando o retrato de um “santo da contemporaneidade”, uma imagem mítica da própria necessidade de sobrevivência. Compotas, pois, são um meio de conservação de frutos em açucar para que posteriormente sejam apreciados como lanche ou aperitivo.Trazemos obras de arte aprisionadas em vidros de doce, como compotas. Esta proposta tem voz ampla e aborda repertórios de inteligibilidade de ações que evocam passagens temporalmente construídas na relação com o outro. Trabalhamos com os conceitos de duplicidade, relíquia, sagrado/profano, consumo, real/imaginário, transparência e voyeurismo.
Essa mostra também permitirá ao público ter acesso a um espectro mais amplo e variado da produção artística, além de ser uma maneira de dar retorno a este público que busca por contato com diversos artistas e sua produção. A seleção deste projeto para a Galeria ACBEU é uma oportunidade de apresentar ao fruidor um trabalho que vem sendo desenvolvido em ambientes de pesquisa, de ensino, em ateliês de artistas e ambientes afins, comungando sob o olhar da fotografia todas as formas de expressão em artes visuais. A ocupação do espaço expositivo se dará com as “compotas de santo”, distribuídas em gôndolas e prateleiras tal mercadoria em um supermercado. Além de tratar do processo criativo e suas implicações num desdobramento contínuo, este projeto se justifica pela atualidade da sua temática que, propõe a criação artística a partir de conexões e interlocuções entre a cultura e a visão social, contribuindo para o desenvolvimento de ações multidisciplinares, vivenciando uma intervenção que inclui a nossa diversidade.

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