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terça-feira, 5 de outubro de 2010

Arte Egípcia


Ammit, o devorador de corações do Tribunal de Osíris

Série de posts relativos ao Curso de Especialização em História Social da Arte, PUC-PR. Professora Adriana Mocelim de Souza Lima- Antiguidade à Idade Média em 28-09-10


A professora Adriana começou apresentando as primeiras manifestações egípcias que aconteceram em paralelo com o neolítico, mais precisamente o final do neolítico quando a agricultura se desenvolve e algumas comunidades passam a se estruturar socialmente. Apesar de acontecerem no mesmo período as manifestações de arte egípcia são bastante diferentes da arte rupestre encontrada na Europa Ocidental e Planície Ibérica. O clima influenciou muito no deslocamento da população Egípcia que fugia constantemente do processo de desertificação. O Rio Nilo é o grande berço da sua cultura e suas regiões férteis provocaram disputas e guerras constantes entre tribos. As margens do rio se desenvolveram comunidades bem estruturadas socialmente e com lideranças organizadas. O faraó se utiliza da regularidade do rio, ele seria o controlador da natureza. A ideia da fertilidade do rio é cíclica e isto está presente nas manifestações artísticas. O rei era considerado um Deus, a questão religiosa justifica a política e dá ao faraó uma ligação mítica.Seu poder controla todas as estâncias da comunidade e a da natureza.
Não é de se estranhar que essas comunidades tenham deificado também o rio, aquele que inunda e traz a cura molhada pra toda a terra. Ele era o sustentáculo de toda a sociedade. Aqui a mestre Adriana falou sobre a importância do Nilo e suas representações. Deus Hapi era o nome do deus ligado ao rio, descrito como uma pessoa gorda, trazia a ideia da abundância, os seios apresentavam contornos femininos, uma alusão a fertilidade. Deus Hapi trazia consigo uma cesta de oferendas (os frutos do rio).
A produção excedente do Nilo dá vazão ao comércio. A presença de pedras preciosas de outras regiões comprova que muitos comerciantes estiveram ali. Surgem os Nomos com instituições políticas e religiosas bem definidas. Ocorrem as especializações como a figura do escriba.
A arte e a escultura egípcia estavam intimamente ligada à produção de objetos funerários, dos quais se destacam as imagens dos defuntos e as decorações de câmaras funerárias. Os faraós são os grandes empregadores de artistas.
Analisamos a figura de ‘ As almas de Pe e de Nekhen’e aqui encontramos algumas das características que definem a arte egípcia: a religiosidade, representações mitológicas e o antropozoomorfismo com a figura de Hórus e Anúbis.
Os egípcios acreditavam na vida eterna, mas não no conceito de reencarnação. Alguns autores divergem sobre esse aspecto, mas a importância da vida após a morte é uma constante em todo período que se estende a civilização egípcia. Algumas considerações a respeito das mumificações foram analisadas (o clima como agente de preservação), discutiu-se a problemática da preservação das múmias.
Depois a professora Adriana discutiu aspectos ligados a pintura, como sua característica de frontalidade (olhos, peito e ombros de frente e cabeça, pernas e braços de lado), as figuras bidimensionais e a uniformidade de cores, outras características marcantes na arte Egípcia. Havia um interesse em se manter esse padrão, criando uma unidade de fundamentos estéticos e filosóficos (todos ligados a questão do pós-morte). A consequencia foi uma continuidade estilística envolta no rigor e de caráter rígido e hierático. Regras estabeleciam as proporções e simbologias para a representação de deuses, faraós e altos funcionários.
Analisamos então os seguintes exemplos de arte egípcia: -Rahotep e Nofret- IV Dinastia, 2600 aC. (Análise do caráter religioso e questões da imortalidade, o Ka, espírito guardião do corpo);-Estátua do Ka do Rei Hor- 1720 aC. (representação do espírito Ka se deslocando para a vida após a morte, era uma imagem de força vital, representava idealmente o morto, estas imagens serviam para substituir o corpo mumificado em caso de degradação.);-Serpente Uraeus de Senuseret II (ourivesaria e trabalho de artesãos na produção de artefatos);- Tribunal de Osíris ( julgamentos dos mortos, o coração do morto é pesado pela Deusa Maat que utiliza a pena da verdade na cabeça. Ammit devora o coração dos não merecedores;- Paleta de Narmer, 3500aC a 3000aC (Faraó que unificou o Alto e Baixo Egito, exemplo de dominição do inimigo representada na arte);- Tríade de Menkauré, Miquerinos; -A pirâmide escalonada do Rei Djoser 2650 aC;- A pirâmide de Gizé.
Depois foi estudada a história de Amenhotep IV ( Akhenaton), que unifica a religião no novo culto ao Deus Solar. O monoteísmo provoca algumas mudanças quanto a rigidez do figuratismo egípcio. O formalismo abre espaço para um enfoque mais dinâmico com novos temas e símbolos, mais vivacidade no desenho e algumas questões de perspectiva. O artista ganha maior liberdade no tratamento expressivo das figuras, sendo permitido acentuar nos retratos os defeitos do personagem representado. O exemplo é a estátua de sua mulher Nefertiti com fineza de detalhes e linhas mais sensíveis. O reinado de Akhenaton representa um momento de ruptura para as artes egípcias e contrariou de certo modo as soluções canonicas e idealizadas. Reinstaurados os antigos cultos por Tutankhamon, assistiu-se a uma gradual recuperação das tendências idealizadoras da fase anterior à revolução de Akhenaton.

Bibliografia recomendada
-Baumgart, Fritz- Breve História da Arte, São Paulo, Martins Fontes, 2007. Texto Egito: Do 4º ao 1º milênio a.C

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