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domingo, 17 de outubro de 2010

Epistemologia e os modelos de compreensão da realidade


A Epistemologia não é de ninguém

Série de posts relativos ao Curso de Especialização em História Social da Arte, PUC-PR.
Epistemologia - Aula de Haroldo de Paula em 04/10/2010

O professor Haroldo iniciou a aula com conceitos sobre a teoria e a prática, ressaltando a importância da teoria no contexto do aprendizado, adaptação e transformação. A prática costuma estabelecer e mater a rotina cultural. Ouvimos sobre instintos, cultura e sobre maneiras de reprodução de conhecimento, a teoria em contrapartida cria e diversifica a rotina cultural, daí sua grande importância frente a prática. A racionalização dos problemas cria soluções, se produz conhecimento. A prática é, portanto, conservadora e tem função de conciliar a rotina. A observação se faz a partir da teoria, a prática está ligada a dimensão instintiva e subdisia determinados conteúdos em função da rotina. A teoria tem de ser racionalizada e diversificada das rotinas e resulta na produção da ciência. Em geral somos atraídos para a prática, ela nos parece boa, atraente e quente, a teoria tem o aspecto frio e distante, mas a prática consolida uma resposta única e previsível enquanto a teoria pode gerar experts.
Os Bloqueios Típicos para a autonomia intelectual
A prática É perigosa, gera conveniências do domínio de habilidades técnicas mínimas. Incentiva a dependência intelectual, limita programas científicos às consequencias técnicas, o processo técnico pode falhar (emergências), o produto deste processo pode se revelar insuficiente, consolidação de rotinas (respostas reais únicas), senso comum.
Com a teoria ocorre uma diversificação de rotinas, uma busca por soluções possíveis em busca do conhecimento científico.
Modelos de Compreensão da Realidade
-Modelo Grego
Os Fisicalistas: compreender a physis-Os sofistas“O homem é a medida de todas as coisas” Protágoras (490-420 a.C)-Sócrates (470-399 a.C) A verdade está no homem de forma natural, não convencional-Platão (429-347ª.C) O social tem a mesma natureza do homem, alma x estado-Aristóteles (384-322ª.C)-Aristóteles (384-322 a.C) O homem é um animal político. Ouvimos sobre o delicado momento de crise que se estendeu do fim da Idade Média para a Moderna, o levantamento de questões epistemológicas e éticas com rupturas na hist´ria da filosofia, rupturas epistemológicas. A Epistemologia não tem dono. Aqui o professor Haroldo discursa sobre diversos pontos: Axiomas, verdades que não podem ser comprovadas; ciência, mito x religião e a comunicação entre eles; a busca de virtudes como objetos filosóficos; sobre a negativa da corporalidade na Idade Média e as diferenciações da arte nesse período com a arte grega; a busca da verdade, como os Fisicalistas rompem com o mito, explicações da realidade cosmológica; Pitágoras e especulações; séc. XVI e imposição epistemológicas; como o mundo esterelizado da igreja não corresponde a miséria de fiéis empoleirados pelos mundo e tendência de um Papa mais pop para atender determinadas demandas; questão Nienmeyer e suas obras de cunho comunista; o papado paradoxal de João Paulo e o pavor da nova cissão da igreja; libertação , bionergética, Freud, Jung e transcendência, a ruptura de Maquiavel, uma condição da autonomia teológica e domínio da razão, conhecimento é poder; Platão e filosofias que atendam a realização plena da natureza da alma. O homem é um bicho político.
-Modelo Cristão (Medieval)
A base dogmática da Revolução; Santo Agostinho (345-430ª.C) A verdade está na fé, concepção de bem ‘crer para compreender’; São Tomás de Aquino (1225-1274 aC), A razão contribui na compreensão das verdades da fé ‘compreender para crer’ O livro proibido do nome da Rosa é o de Aristóteles. Tomás de Aquino abriu espaço para a modernidade. Ouvimos sobre como a igreja se tornou uma instituição política e sobre a dicotomia da modernidade, empiristas x racionalistas mas ambos contrários ao paradigma medieval
-Modelo Moderno
Racionalista, cartesiano onde a razão torna-se a base do conhecimento, a necessidade de um método seguro para se conhecer, regras (evidência, análise, síntese e revisão) e suas implicações, a moral provisória construída racionalmente; Empirista, todo conhecimento provém da experiência, F Bacon (1561-1626 aC), È necessário eliminar os pré-juízos para se conhecer; J Locke (1632-1704 aC)
-Modelo Kantiano (1724-1804 aC) Critica os modelos empirista e racionalista, não conhecemos a coisa em si, só alcançamos a existência das coisas a partir dos fenômenos, a ação não deve ser guiada pela sensibilidade, a razão é igual a moral
-Modelo Positivista (1798-1857 aC), progresso a partir das ciências positivas, características das ciências positivas- pragmática, abstrair as leis da natureza e do social a partir da observação e da lógica- base empirista com acréscimos racionalistas. Ouvimos sobre a divisão da ciência, unidade do método e procedimentos que levam a descobertas das leis que regem os fenômenos, sociologia e sua preocupação em descobrir que leis governam a sociedade e não em sua transformação, sobre a superioridade do coletivo perante o indivíduo.
Depois o professor Haroldo explicou a respeito da dialética: Hegel (1770-1831 aC) e sobre tese, antítese e síntese, a rara situação da liberdade; Marx e seu materialismo dialético, alienação x ideologia, a tese e a antítese gera a síntese, a síntese uma vez estabelecida cria uma nova tese, a nova tese gera nova síntese e há a continuação do dialético.
Discursos Contemporâneos de Superação Metodológica
-Fenomenologia, Husserl (1859-1938), existe uma conexão entre o mundo de nossa experiência e o homem que vive essa experiência, não é possível pensar o humano sem o mundo, a importância da intencionalidade, a nossa intenção altera a realidade, o homem da sentido ao que está a sua volta, é o fim da rigidez epistemológica, a intencionalidadeda consciência interfere no processo, o artista é o artífice da intencionalidade.
-Paradigmas Científicos, as estruturas das revoluções científicas, Tomas Kuhn (1922-1996 aC) Um campo científico é criado quando formas de observação, métodos tecnológicos, experimentação, demonstrações e conceitos formam um todo sistemático ( uma teoria), a teoria se torna um modelo de conhecimento e compreensão de realidade ou seja, um paradigma, nenhuma ciência caminha numa direção linear e contínua, mas por saltos e revoluções.
-Hermenêutica, Gadamer (1900-2002 a.C) É questionável o estatuto do método como caminho único da verdade, conceitos vão sendo substituídos por novos projetos de sentido e há ima historicidade a ser considerada, não existe a verdade, existem perspectivas de verdade, a compreensão não está além de nosso próprio horizonte.
-Teoria da complexidade, O conhecimento das informações ou dos dados isolados é insuficiente, contextualizar para ter sentido, o global, o todo é maior que a soma das suas partes, unidades complexas ( o ser humano ou a sociedade são mulitidimensinais), o conhecimento pertinente deve enfrentar a complexidade, mitos e representações de arquétipos.
-O princípio da Redução, Restringe o complexo ao simples, aplica às complexidades vivas e humanas, a lógica mecânica e determinista da máquina artificial, elimina o humano do humano, a subjetividade, os grandes problemas humanos desaparecem em benefício dos problemas particulares.

Morin- 2002 pg 45
O Paradoxo:
“O séc. XX produziu avanços gigantescos em todas as áreas do conhecimento científico, assim como em todos os campos da técnica. Ao mesmo tempo produziu uma nova cegueira para os problemas globais, fundamentais e complexos, e esta cegueira gerou inúmeros erros e ilusões epistemológicas por parte dos cientistas, técnicos e especialistas.”

Questão a ser abordada:
Qual a importância da Epistemologia para sua formação acadêmica?

imagem do post extraída em http://blogs.saschina.org/chemicalparadigms/category/books-movies/

3 comentários:

  1. Uau...um assunto deveras profundo a ser compreendido em seus estudos!!
    Creio que essa filosofia do conhecimento está bem ligada à vivência de cada um dentro dos parâmetros adquiridos, seja com a técnica e/ou teoria, seja com a prática! A prática, como bem sabemos pode(?) levar à perfeição do conhecimento, já a técnica nos dá a fórmula de como podemos chegar a...!

    Por isso, a racionalização dos problemas, o s´aprofundar nas camadas do âmago das questões, aprimora o conhecimento, fazendo de nós, seres pensantes; seres ainda mais questionadores e vívidos em uma orla segmentada de questões a se compreender, entender e vivenciar!

    Sei lá, acho que falei muita bobeira..rs...
    É um ótimo estudo para as questões filosóficas!

    Abraços fraternais

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  2. É a tal da teoria... ruim com ela,pior sem ela. Abs

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  3. E de nada vale a prática se não tiver a tal da teoria, não é mesmo? rs

    Abraços fraternais

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