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segunda-feira, 22 de novembro de 2010

A arte egípcia


Gado atravessando um Rio a Vau. C. 2400 a.C. Sepultura de Ti, Sacará.

Série de posts relativos ao Curso de Especialização em História Social da Arte, PUC-PR. Professora Adriana Mocelim de Souza Lima
Resumo do texto de H.W. Janson- A arte egípcia- História Geral da Arte, pg 70-100.

Janson faz uma breve introdução onde questiona a validade da data considerada aceitável para o início da história e invenção da escrita (5000 a.C.). A questão que ele levanta é se existem mudanças radicais nos conhecimentos históricos devido a falta de referências válidas das sociedades pré-históricas. Sabe-se que as mudanças das condições de vida nos primórdios foi lenta se compararmos as transformações da contemporaneidade. Foi uma fase onde o homem aprendeu a subsistir, uma luta que culminou na vitória do homem sobre a hostilidade do ambiente. Era a Revolução Neolítica e em muitos lugares do globo o homem se acomodou no que o autor chama de ‘planalto neolítico’ das sociedades primitivas. O autor trata então das tensões na sociedade primitiva, segundo Janson elas ocorreram em virtude da própria Revolução Neolítica, a população aumenta e a produção de alimentos não. Esse fator de desequilíbrio gera conflitos por territórios e a partir daqui as coletividades maiores e mais organizadas dominam as frouxas sociedades tribais. Exemplo das fortificações neolíticas de Jericó, construídas há cerca de 9.000 anos, sua construção exigiu trabalho prolongado e especializado, 3.000 anos depois tensões em torno do Nilo, Tigre e Eufrates produziriam uma sociedade mais complexa e eficiente que as demais. Aqui ocorre um processo de aceleração histórica, ocorrem grandes feitos, faz-se história literalmente. Nesse período a sobrevivência é posta em xeque pelas forças humanas e não mais pela natureza. Acredita-se que o desenvolvimento da escrita cuneiforme e hieroglífica possa ter se estendido por séculos (3300 e 3000 aC), quando enfim a escrita pode registrar os acontecimentos a história já está bem avançada.

Monarquia Antiga

Adjetivos apropriados a arte nesse período: duradoura e contínua. (permaneceu a mesma durante 10000 anos), uniforme mas não estática.Teve influência nas artes gregas e romanas.

-As dinastias e o início da Monarquia Antiga (sentido de continuidade, importância do faraó). A monarquia foi a chave da civilização egípcia e isso determinou o caráter de sua arte.
-Os túmulos e a região. O apagamento da fronteira entre a vida e a morte com túmulos que imitavam o ambiente familiar, mais tarde observa-se a expressão do medo da morte com a introdução dos conceitos de julgamento da alma.
-Hierakonpolis- Fase arcaica dos costumes funerários e análise de fragmento de pintura de um túmulo pré-dinástico. Figuras prestes a se transformarem em hieróglifos.
-O estilo Egípcio e a Paleta do Rei Narmer (3200 aC). A união do Baixo e Alto Egito pelos reis do Sul. Rei Narmer e a análise da paleta cerimonial onde se celebra o triunfo sobre o Baixo Egito. Provavelmete a mais antiga obra de arte histórica que conhecemos. Longe do primitivismo e com alguns traços que caracterizariam a arte egípcia posteriormente, observa-se paralelo do deus Hórus com Narmer.
-Estilo e estilos: Aqui o autor define o conceito de estilo e de sua importância capital no estudo das artes plásticas e representações. Através da análise do estilo é possível compreender a intenção do artista, sua personalidade e por fim podemos ter um vislumbre do meio onde viveu e trabalhou.
-A lógica do Estilo Egípcio: Ressalta o acentuado sentido de ordem. A representação de três pontos de vistas possíveis, frontal, perfil e vertical. A arte egípcia nunca perdeu seu caráter de cerimonial sagrado.
-A Terceira Dinastia: Análise do Painel-retrato de Hesy-ra- Proporções mais equilibradas, percepção aguda e delicadeza do toque cria uma representação mais harmoniosa.
-Os túmulos: Questão do conceito post mortem não ser democrático, destinados a uma limitada casta aristocrática agrupada na corte faraônica.
-As mastabas: ‘túmulos particulares’, exemplos de imagens. A pirâmide truncada transforma-se em pirâmide de degraus na Terceira Dinastia. (Rei Zozer).
-As Necrópoles: As pirâmides eram peças erigidas em vastas necrópoles, com templos e outras edificações e não isoladas como a visão moderna e enamorada que temos. Imhotep, o primeiro artista com seu nome registrado na história.
-As colunas: Imhotep e o emprego da cantaria no lugar de adobes de terra, madeira e cana. Colunas sempre “embebidas nas paredes”. Presença de meias-colunas papiformes ligadas ao Baixo Egito, as colunas do Sul são representações diferentes ligadas ao Alto Egito.
-A Quarta Dinastia: Desenvolvimento da pirâmide em seu auge (Pirâmides de Gizé). Faces lisas. A Esfinge talhada na própria rocha viva. Sua grandiosidade reflete a majestade dos faraós e marcam o zênite do poder faraônico. São na verdade o símbolo do trabalho escravo de milhares de homens forçados a servir ao enaltecimento do soberano.
-Os retratos: Manifestação da visão ‘cúbica’ da forma humana. A imagem exprime solidez e imobilidade tridimensional. Exemplo: a imagem de Quefren esculpida em diadorite, corpo impessoal e rosto com alguns traços individuais. A imagem de Miquerinos e a Rainha de Gizé (2470ª.C) e o paralelo da beleza masculina e feminina e do Príncipe Rahotep e sua mulher Nofret com sua coloração viva ainda preservada. As representações das estátuas eram sempre de pé ou sentados, simétrico e imóvel. Nos fins da Quarta Dinastia surge uma terceira posição a do escriba acocorado e também tem o caráter de rigidez simétrica.
-A decoração dos túmulos. Análise da imagem ‘A caçada ao hipopótamo’ e ‘Gado Atravessando um Rio a Vau’ (2400 aC).


Monarquia Média

Período de perturbações políticas, queda do poder centralizado faraônico. Parece ser quebrado o elo de fascinação divina do faraó e este nunca mais adquiriu novamente sua antiga força. Várias dinastias de curta duração. Invasão dos Hicsos, expulsos 150 anos depois do Delta pelos príncipes de Tebas (1570 aC).

-O retrato: Denuncia uma nova profundidade de autoconsciência, manifestação de um realismo firme, parece ser quebrada a relação com a escultura anterior.
-A pintura e o baixo-relevo, aqui também observa-se um afrouxamento das regras estabelecidas (Afresco Alimentando os Óris). Interesse na exploração de efeitos espaciais com o uso de linhas de fundo.

Monarquia Nova

Representa a Terceira Idade do Ouro no Egito, o país se une novamente sobre reis fortes, a reealeza divina está assentada em novas bases com associação ao deus Amon, identidade fundida com o deus-sol Rá. Amenófis e a tentativa de implantação monoteísta com o culto de Aton, muda o nome para Akhenaton na tentativa de enfraquecer o enorme poder adquirido pelos sacerdotes de Amon Ra. Após seu reinado os sucessores restauram a ortodoxia. Com o domínio grego e romano o Egito tem seu declínio envolto numa profusão caótica de doutrinas religiosas. A arte nesse período abrange uma vasta gama de estilos e qualidades, ora repleta de rígido conformismo e por vezes brilhante e de imenso requinte. Essa profusão torna arbitrária encontrar alguma obra totalmente representativa.

-A arquitetura- O templo da rainha Hatshepsut (1480aC), exemplo de magnífica união de arquitetura humana com a arquitetura natural. – O templo de Luxor, templos imperiais de Amon reconhecido como pai do faraó. Colunas esmagadoras que contrapõe a ideia das colunas papiformes de Imhotep.
-A arquitetura de tijolo- Uso constante de adobes cozidos ao sol. Observação da perícia conseguida com as abóbadas de berço, vãos de quatro metros, os Romanos alcançariam a técnica muito mais tarde.
-Akhenaton- Revolucionários nas suas crenças religiosas e gostos artísticos promove um novo ideal de beleza. Análise da figura quase caricata do Retrato de Akhenaton (1360 aC). O busto de Nefertiti, uma das obras-primas do ‘estilo Akhenaton’, um novo sentido da forma, busca quebrar a rigidez da imobilidade tradicional. A configuração plástica parece mais descontraída e antigeométrica.

O busto de Nefertiti, uma das obras-primas do ‘estilo Akhenaton’

-Tutankhamon- Nas representações artísticas desse período encontra-se ainda o eco do monarca herético Akhenaton. Seu túmulo encontrado intacto revelou ao mundo as enormes riquezas sepulcrais. Dispersão de formas vivas sobre um fundo de paisagem é um aspecto raramente visto nas paredes dos túmulos.

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