Amigos

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Arte Romana


"Sarcófago monumental" / 180 DC / Mármore / Arte Romana / Museu do Louvre


Série de posts relativos ao Curso de Especialização em História Social da Arte, PUC-PR. Professora Adriana Mocelim de Souza Lima- Antiguidade à Idade Média
Resumo do texto: O Relevo Honorífico e o retrato- Ranuccio Bianchi Bandinelli- História da Arte Italiana- da antiguidade a Duccio


Roma nunca mais seria a mesma depois do século II (200-100ª.C). Os romanos conquistam o Mediterrâneo oriental e novas dimensões são estabelecidas, tanto políticas como econômicas, seja com relação aos povos itálicos, seja no interior da sociedade romana.
Os romanos já dominavam boa parte da Europa (Benônia, Mutina, Parma, Aquiléia, colônias de Pisa e de Luni). É em (200-197 a.C) que os romanos derrotam Filipe V da Macedônia e emitem a declaração de liberdade dos gregos do domínio macedônico. Com essa manobra política de penetração os romanos fincam os pés na Grécia.
Todas essas novas riquezas das conquistas atiçam os colecionadores, Um vasto mercado se move em torno da arte. Havia diversas oficinas de artesãos trabalhando como uma indústria e nesse contexto ocorre uma apropriação material sem critérios da arte grega clássica e helenística, herança de mais de cinco séculos de produção intensa e criativa.
O ecletismo é a primeira característica que distingue a arte romana médio itálica, é esse estilo que supre as necessidades da arte de Roma. É interessante notar que o ecletismo estilístico é em geral uma característica que existe no fim de uma civilização, uma consequência de exaustão e intelectualismo, em Roma ela decorre no início. Esse fato diferencia a arte romana de qualquer outra cultura artística. Nesse período em que a arte helenista e mitológica mistura-se ao estilo romano e cívico observamos exemplos numerosos de abandono deliberado das regras do naturalismo e observamos uma intenção simbólica em muitos monumentos.
Um bom exemplo desse ecletismo são os restos de um antigo monumento da Arte Romana: ‘Ara de Domício Aenobarbo’, duas partes do mesmo monumento, uma se encontra no Museu do Louvre e outra no Museu de Munique na Baviera. Sabe-se que são do mesmo monumento graças a documentação, seria difícil pensar que um dia esses dois monumentos estiveram juntos, tão grande a diferença estilística entre eles. Nele encontramos o estilo helenista, pelo assunto mitológico e o romano pelo assunto cívico.
O refinamento do neo-aticismo do período de Augusto parece caracterizar uma arte da elite, limitados à capital, enquanto a arte plebéia cria hábitos iconográficos e regras formais. Observa-se a introdução do valor simbólico das proporções. São vistos numerosos exemplos onde a representação da proporção dos animais sacrificados está distorcida. Essa é uma característica do abandono as regras do naturalismo helenístico, assim como a tentativa de se fugir do escorço utilizando as figuras em composição num plano uniforme. Observa-se o máximo da expressão romana: A busca individualista de afirmação e glória que vigora toda a cultura antiga, o germe que caracterizaria o mito de eficiência que permeia a moderna civilização do bem-estar.
Aqui o autor revela a existência de uma “arte plebléia’, com representações da vida cotidiana em lugar de figurações mitológicas. Não pode ser chamada de ‘arte popular’ , pois o conceito ‘povo’ na cultura moderna é diferente das sociedades escravistas, outro aspecto a se considerar é que o conceito ‘arte popular’ só foi introduzido pela crítica da arte apenas na idade romântica. A pintura também evidencia esse estilo com a distorção da perspectiva e quase nenhuma preocupação compositiva onde pouco se vê dos elementos da arte culta e tradição helenística. Observa-se aqui formas embrionárias da arte do tardo-antigo ( III e IV dC), cujo simbolismo torna abstrata. Talvez esse estilo de arte possa ser considerado a primeira e verdadeira manifestação de um estilo romano na arte da Antiguidade, sua característica maior se daria pela fusão do naturalismo helenístico ligada a mentalidade civil e ao rito religioso dos romanos. De sua forma objetiva surge um estilo narrativo e histórico, um estilo 'romano'.
O relevo histórico e o retrato assumem uma importância excepcional na arte romana, manifestações de uma forte ligação terrena e objetiva, que exclui toda a manifestação metafísica.
O retrato foi criado em ambiente patrício, fruto de artistas de educação grega, que trabalhavam em nome de uma ideologia tipicamente romana e patrícia. Em geral essa forma de arte que não se manifesta igualmente em todas as civilizações é uma característica de uma civilização urbana e politizada, que nasce de um forte impulso sentimental ou ideológico.
Nessa parte do texto o autor aponta para algumas particularidades em relação ao surgimento do retrato, ao contrário do que se imagina, o retrato não é uma prerrogativa absoluta dessa civilização artística. O retrato se firmou antes na Grécia e mais tarde na arte etrusca e itálica. Restaram poucos retratos gregos,porém, um grande número de cópias grosseiras produzidas no período romano para adornar bibliotecas, teatros e casas. Em comparação com essa produção comercial, os retratos originais de arte romana se destacam pela agudeza e frescor.
Na Grécia, o primeiro retrato fisionômico foi, provavelmente, o de Platão, colocado por um não grego em lugar dedicado às Musas, em honra ao filósofo, após a sua morte, depois da metade do século IV a.C. Tratava-se de um retrato público e,portanto, intencional e de reconstrução, não real. O verdadeiro retrato fisionômico nasce na esfera privada somente na era do Helenismo e os raros que se salvaram, em geral, são de bronze e nas moedas.
O típico retrato romano provém da esfera privada e do culto familiar antes do funerário. Uma diversidade de gênero e estilo marca uma distinção (até a era dos imperadores Flávios), entre o retrato privado e o público. O autor utiliza um texto do historiador grego Políbio, cerca de 166 a.C para mostrar a importância que o retrato assume em Roma. O texto narra os ritos fúnebres de um personagem ilustre e menciona a imagem de uma máscara de cera que representa com notável fidelidade a fisionomia e colorido do defunto, essas imagens eram expostas e honravam-nas com todo cuidado com exaltação da glória patrícia. É o ius imaginum, expressão jurídica de um direito que concretiza o privilégio de conservar as imagens dos antepassados no ambiente central da casa, o átrio. O retrato assume uma importância particular, política e de casta. Movimento típico da aristocracia senatorial, mais tarde esse estilo assume características particulares. Observa-se um minuncioso realismo e a descrição de todas as minúncias de uma epiderme. A intenção era celebrar a austeridade e força de vontade de velhos cidadãos habituados à disputa política, cheios de orgulho da estirpe. Jamais um tipo de retrato exprime tamanha proximidade da realidade objetiva, isenta de prostituições estéticas e amabilidade humana. Demonstra com clareza que pertence a uma classe de pessoas.
O retrato romano do século I a.C não pode ser compreendido todo por uma única definição. Alguns exemplos como os dois bustos da estátua Barberini, não pertencem ao peculiar estilo do retrato patrício da época de Sila. Nele observa-se o naturalismo objetivo da tradição helenística e médio-itálica.É um retrato típico do segundo triunvirato (43-32 a.C) onde o compromisso entre formas helenísticas e a tendência ao documento verista está amadurecido. Também encontramos exemplos de retratos puramente helenísticos, ricos de modelado e de plasticismo um pouco barroco ( cônsul Flamínio em moedas cunhadas na Grécia), e ainda alguns retratos que derivam da médio itálica. Também cabe observar outro tipo de retrato, o imago clipeata, a imagem sobre o escudo.

estátua Barberini

Conclui-se por fim, que na idade republicana encontramos o processo de formação do que será o retrato romano durante os séculos do império. O último século antes da era cristã constitui uma fusão de elementos culturais diversos. São várias formas de exaltar um indivíduo sobre os outros: non omnis moriar, ‘não estarei morto de todo’. Esse é o cerne da mentalidade romana, o estado de espírito que demonstra o desejo de fuga do mundo em uma ideal perpetuidade de tempo e de convivência, um apego a realidade da vida e a vontade de durar além da morte.

4 comentários:

  1. Assim que estiver mais calmo por aqui, eu leio e comento seus textos sobre as artes: Romana e Egípcia!

    Abss!!!

    ResponderExcluir
  2. Muito bom,
    gostei bastante do enfoque dado na postagem.
    Quando se fala em arte grega e romana, sempre é lembrado o fato da quebra de paramêtro com relação a outro povos antigos. Todavia, dificilmente ela é lembrada em sua própria evolução conceitual.

    ResponderExcluir
  3. Tranquilo Anjo, eu sei que vc está na correria. Abs

    ResponderExcluir
  4. Oi Felipe! Obrigada por comentar, você é sempre bem-vindo em meu cantinho! Abs

    ResponderExcluir