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terça-feira, 16 de novembro de 2010

Brasileiros na 29ª Bienal: Rosângela Rennó


Alice e o Gato de Cheshire, 1987, da Série Alice, 35 x 27 cm, fotografia em papel de prata/gelatina. Coleção da artista

ROSÂNGELA RENNÓ

“Regras precisas, dadas como tácitas, estão na base da fotografia de identidade: fundo neutro, iluminação dosada, pose convencional, a expressão pessoal conferida quando muito por um sorriso esboçado. Se existem regras precisas é porque a fotografia de identidade, de certo modo, é o oposto especular do retrato burguês, mesmo compartilhando com ele a ideologia do reflexo, subjacente à operação fotográfica. Uma e outro, com diferentes graus de objetividade, constroem a imagem de um sujeito que é ao mesmo tempo indivíduo e personagem, singular e fiel às convenções do próprio grupo social. É dessas considerações sobre o retrato, visto como um artifício que devolve ao indivíduo a consciência social de si mesmo, que parte a pesquisa atual de Rosângela Rennó. Há alguns anos conseguiu organizar um vasto arquivo de fotografias de identidade feitas por fotógrafos anônimos, do qual se originaram várias operações artísticas voltadas para a desconstrução do código fotográfico, para a apresentação da identidade como não-identidade, ou, antes, para a revelação da identidade como simples aparência, como indício frágil de uma subjetividade que não se deixa capturar tão facilmente.

O sutil jogo de desconstrução e reconstrução, ao qual Rosângela Rennó submete suas imagens trouvées, permite-lhe penetrar na ideologia fundamental da fotografia: a objetividade e o reflexo revelam-se produtos inerentes a uma prática social e superam em muito a idéia da homologia intrínseca ao aparelho.

ABRIS, Annateresa. "L’ indizio negato".
In: Biennale di Venezia, 45, 1993. Aperto’ 93. P. 382.
Texto traduzido e publicado em
Tridimensionalidade na Arte Brasileira do Século XX.
São Paulo: Instituto Cultural Itaú, 1997.

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